A entrevista faz parte de um levantamento de dados para APO - Análise Pós Ocupação - realizados pelos alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Uberlândia para a Disciplina de Ateliê de Projeto Integrado V.
O objeto de estudo foi o Conjunto Residencial São Jorge I na cidade de Uberlândia, no qual foram divididos grupos de alunos que se separaram pelos blocos de apartamentos para a realização dos estudos e entrevistas.
Em média quatro apartamentos passaram pelas entrevistas e análises de cada grupo. Para o seguinte relatório, os apartamentos escolhidos foram os do Bloco J, estes passaram por análises e questionários realizados no dia 08 de Junho de 2013.
Dos quatro apartamentos entrevistados, havia variedade de tipologia familiar, dois deles eram apartamentos com moradores que vivem sós, um reside uma mulher e no outro um homem, já no terceiro apartamento vive um casal e no último mora uma família composta por pai, mãe, e um casal de filhos, sendo um menino de 3 anos e uma menina de 1 ano. Quanto à idade dos quatro entrevistados, esta varia entre 20 e 30 anos, sendo dois homens e duas mulheres.
Três deles estavam empregados, sendo que apenas o entrevistado do apartamento da tipologia família com filhos está desempregado. Quanto ao grau de escolaridade, três dos entrevistados possuem Superior Completo.
A renda de três deles fica acima de R$ 1.200,00 (para este caso: o morador sozinho, a família com filhos e o casal), a outra moradora que vive só não quis mencionar sobre o valor de sua renda.
Apenas um dos entrevistados aluga o apartamento (o casal), os demais são proprietários.
Todos se mudaram entre os períodos de 2010 e 2011, para isto os principais motivos citados foram: “conquista da casa própria” (dois entrevistados); investimento; e falta de opção; e um deles citou a localização.
Antes da moradia atual, todos disseram morar em casas alugadas (exemplos de bairros citados: Santa Mônica e Gravatás).
Quanto ao meio de transporte utilizado, o casal utiliza transporte público - ônibus, a família possui carro e moto, dos moradores que vivem sós, a mulher possui moto e o homem tem um carro e uma moto. Ainda sobre o transporte, nenhum dos entrevistados está satisfeito quanto ao transporte público da cidade, há poucos ônibus destinados a esta região do bairro, além de passarem em poucos horários.
Sobre a saúde, dois dos entrevistados disseram estar satisfeitos, e os outros dois não.
Quanto à educação, as opiniões também se dividiram, os dois insatisfeitos disseram que no bairro há poucas creches, além de ser difícil conseguir vagas disponíveis. Queixaram-se da área de lazer existente no Condomínio, pois como são destinadas e usadas apenas por crianças, não freqüentam e nem usufruem destes espaços, por não ter usos para adultos. Por isso, as atividades e áreas mais desejadas e citadas para o Condomínio são: áreas com churrasqueiras, praça verde, espaço para ginástica e mesa de jogos.
Sobre o lazer, este é realizado entre blocos no pavimento térreo, ou dentro dos apartamentos, em individualidade. Contudo, todos os entrevistados disseram estar insatisfeitos com a falta de lazer e também de cultura, não há promoção e nem acesso cultural direto aos moradores do Condomínio.
Os moradores mencionaram que nas segundas, quartas e sextas acontece no Condomínio um evento chamado “Agito Uberlândia”, onde a prefeitura oferece atividades de ginástica.
Em relação ao Bairro, dois dos entrevistados relataram estar satisfeitos e felizes, os outros dois ficaram na média. Um deles acha o Bairro feio, os outros mencionaram que o bairro não desagrada tanto assim. E quanto ao cuidado com o ambiente do bairro, todos ficaram na média.
Já em relação à cidade, os quatro entrevistados se sentem inseridos no contexto urbano. Quanto à localização do apartamento dentro do espaço/cidade, dois entrevistados acham que está bem localizado. Em relação à proximidade de serviços, todos afirmaram ser próximo aos equipamentos necessários de serviços, e quanto à proximidade ao trabalho, dois ficam muito próximos, um deles mais ou menos, e o outro muito distante.
Quando perguntados sobre a segurança, a resposta foi a mesma, todos se sentem inseguros.
Falando sobre o caminho e acesso do apartamento até a rua, todos ficaram na média com as respostas, quanto à beleza deste trajeto, quanto ao tamanho, e quanto à localização.
Perguntados sobre a aparência externa dos Blocos, dois dos entrevistados disseram achar muito feio, e os outros dois ficaram na média. E já sobre a qualidade dos materiais de acabamento internos e externos, todos acham muito ruins.
Todos acham os apartamentos muito pequenos e a divisão dos espaços internos muito ruim, com exceção de apenas um deles (o morador sozinho) que disse que a divisão dos espaços internos lhe é satisfatória.
Para a mudança com os mobiliários antigos, apenas um deles pôde trazê-los, já para os outros três não couberam todos os móveis. Perguntados sobre a quantidade de móveis no apartamento, todos acham que possuem o suficiente.
Sobre a privacidade entre vizinhos e moradores, há pouca.
Quanto à iluminação e ventilação dos apartamentos todos julgaram ser muito boas. E sobre a temperatura interna nas moradias, tanto no inverno quanto no verão, disseram ser agradável.
Quanto à acústica, as opiniões divergiram entre os quatro entrevistados, alguns acham que tinha pouco barulho/ruído, outros acham que tem muito.
Pode-se observar que os apartamentos tinham pouca decoração, mesmo assim todos relataram se identificar com os seus ambientes, além disso, três deles disseram que se adaptaram bem com o apartamento.
Por fim, foram feitas certas observações por parte dos entrevistados: os apartamentos foram mal rebocados (reboco com gesso); os acabamentos são de má qualidade; as janelas são ruins, há infiltração e foram mal assentadas.
Comentaram ainda que muitos moradores não têm “consciência ambiental”, e muitos não respeitam as próprias normas do Condomínio.
Quando questionados sobre a dimensão total do apartamento, que é de 40m², disseram que o espaço é muito pequeno, mas se tivesse 44m² já seria o ideal.
Também se queixaram sobre a lavanderia ser integrada com a cozinha, além de ser muito pequena.
Os principais motivos para a escolha deste apartamento foram o valor e as facilidades de compra (sem estrada e sem juros). Um deles relatou ter pagado o valor de R$ 37.800,00 pelo apartamento, porém disse que no mesmo bairro, uma casa maior (56m²) com dois quartos, custaria em média o valor de R$ 45.000,00.
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